Algo que me chamou atenção foi que o desleixo com relação ao Planeta não tem classe social ou etária, muito menos de gênero.
Escutei pessoas simples moradoras de vilarejos afastados da cidade que convivem diariamente com um esgoto a céu aberto cuidando para seus filhos não brincarem na canaleta fétida. Que não se preocupam em fazer alguma coisa para mudar isso, se colocam como vítimas que merecem receber ajuda. Também escutei pessoas com bom poder aquisitivo que nunca pensam em esgoto e nunca pensaram e não acham que precisarão se preocupar um dia. Porém, ao serem convidadas a refletir sobre um possível esgotamento da água elas ficam perplexas.
Nossa pesquisa habitou a praça central de Viamão. A praça aglutina pessoas de diferentes regiões da cidade, de diferentes idades e padrão sócio-econômico. A praça é um território de todos e de ninguém. Conversar com essas pessoas tão diferentes e tão iguais foi uma experiência incrível.
A grande maioria dos meus entrevistados tem poço artesiano e fossa caseira. Perguntados se eles fariam uma possível ligação à rede de esgoto as respostas variaram entre "sim, com certeza" e "nunca, assim está bom".
Ao escrever e lembrar dessas pessoas, lembro na música "Gente Humilde" do Chico Buarque.
Habitar aquela praça central de Viamão por uma manhã despertou em mim um profundo sentimento de humildade, reflexão e simpliciade. Fui muito bem recebido pela maioria das pessoas e quase todas demonstraram quebrar o ritmo das suas rotinas ao se permitirem pensar, pelo menos por uns instantes, sobre nossa água, nosso esgoto, nossa responsabilidade e nossa vida...
Leonardo Garavelo
Equipe de Troca
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